Prefeito de Ribeirão Pires demite secretário da Segurança após GCM ter porte de arma cancelado pela PF

  • 19/06/2026
(Foto: Reprodução)
O agora ex-secretário de Segurança da Ribeirão Pires, Arlei Capoccio, demitido pelo prefeito Guto Volpi (PL). Ele será substituído por Rangel Ferreira. Reprodução/Redes Sociais O prefeito de Ribeirão Pires, Guto Volpi (PL), demitiu nesta sexta-feira (19) o secretário da Segurança Urbana, Mobilidade e Defesa Civil da cidade, Arlei Capoccio. A demissão ocorreu um dia após o g1 revelar, com exclusividade, que a Polícia Federal (PF) havia cancelado o porte de arma de todos os guardas municipais da cidade. A medida foi tomada devido ao descumprimento de um acordo firmado com a corporação e à falta de envio de documentos obrigatórios. No lugar de Capoccio, a gestão Volpi anunciou o atual secretário de Assuntos Jurídicos do município, Rangel Ferreira, que assumirá interinamente a Secretaria de Segurança. A mudança ocorre em meio à crise enfrentada pela administração municipal após o cancelamento do porte de arma dos guardas municipais pela Polícia Federal. Outra mudança importante anunciada pelo prefeito nesta sexta é a mudança temporária da Secretaria da Segurança Pública da cidade para o local onde funciona atualmente a base da GCM, a fim de controlar de perto a atividade da guarda, que também é alvo de investigação do Ministério Público por suposta formação de milícia (entenda mais abaixo). Segundo a gestão municipal, o novo secretário Rangel Ferreira vai passar a despachar do local até que as exigências da PF sejam cumpridas e o porto de armas retomado. Reunião pública Volpi se reuniu na manhã desta sexta com todas as esferas da Segurança Pública do município para anunciar as mudanças e assegurar o trabalho conjunto com as várias esferas, a fim de não deixar a cidade sem o devido policiamento. Participaram do encontro o delegado titular de Polícia Civil de Ribeirão Pires, Adilson de Lima; o delegado adjunto, Roberto Santos da Silva; o promotor de Justiça Jonathan Vieira de Azevedo, do Ministério Público do Estado de São Paulo; o secretário de Assuntos Jurídicos e interino de Segurança Urbana, Mobilidade e Defesa Civil, Rangel Ferreira; além do procurador-geral do Município - André Rebechi Duarte – e o tenente-coronel Bonifácio; o tenente-coronel Carvalho; e o capitão Pinholi, comandantes da 2ª Companhia do 30º Batalhão da Polícia Militar da região. “Estamos trabalhando juntos, de forma séria e transparente, cuidando sempre da população. Nosso compromisso é garantir a continuidade dos serviços, respeitando os apontamentos apresentados e construindo soluções responsáveis em conjunto com as instituições envolvidas”, declarou o prefeito. “Quero tranquilizar a população de Ribeirão Pires. A Polícia Militar suplementará e prestará apoio em todas as atividades de policiamento ostensivo e de manutenção da ordem pública. Estamos reforçando o policiamento na cidade e a rotina de segurança de Ribeirão Pires será mantida”, afirmou o tenente-coronel Carvalho, da PM. Arlei Capoccio estava no cargo de secretário da Segurança desde abril do ano passado, quando o g1 revelou que o secretário a época – Sandro Torres – pediu exoneração do cargo após a divulgação de sua condenação na Justiça por roubo de dois açougues da cidade. Prazo de regularização A Prefeitura de Ribeirão Pires, na Grande São Paulo, tem o prazo de dez dias para apresentar a documentação necessária para que a Guarda Civil Municipal (GCM) retome os portes de arma da corporação. Conforme o g1 publicou, a GCM da cidade teve os 114 portes de armas de seus agentes cancelados pela Polícia Federal (PF), em razão da falta de documentação e cumprimento de normas federais para uso de armamento público (saiba mais abaixo). De acordo com as normas da PF, para retomar as autorizações dos guardas municipais, a gestão do prefeito Guto Volpi (PL) terá que apresentar o resultado de provas de tiro, testes psicológicos e uma série de outros documentos e certidões para não perder o porte de arma dos guardas em definitivo. Rangel Ferreira disse ao SP2, da TV Globo, que a Guarda já recolheu os armamentos dos agentes, e eles ficarão guardados em uma sala cofre até que as licenças sejam retomadas. “Elas [as armas] ficarão sob a responsabilidade do comandante da Guarda, num cofre guardadas com a participação da Polícia Militar, para preservação”, declarou o secretário. PF cancela porte de arma de GCMs de Ribeirão Pires, na Grande SP Cancelamento das licenças PF cancela porte de armas de GCMs em Ribeirão Pires; MP investiga corporação O documento emitido pela Delegacia de Controle de Armas de Fogo (Delearm) da PF em São Paulo, ao qual o g1 teve acesso com exclusividade, aponta que o comando da Guarda Civil Municipal da cidade deixou de cumprir vários itens de um acordo de cooperação técnica assinado em 2021, que eram obrigatórios para que a guarda da cidade pudesse manter as licenças de uso de armamentos. Segundo apuração do g1, entre as exigências da PF estão a criação de um órgão de controle interno e externo independentes da Guarda (Corregedoria e Ouvidoria) que funcione e um controle eletrônico do uso e do armazenamento das armas da corporação, por exemplo. A apuração aponta também que a GCM de Ribeirão Pires não tem controle eletrônico do uso de armas nem do ponto dos funcionários. Tudo é feito à mão, o que dificulta os trabalhos de fiscalização, auditoria e controle de ocorrências, arquivo e guarda de armas na base policial da cidade. Isso, segundo as autoridades federais e estaduais, favorece fraudes, destruição e falsificação de registros e provas de eventuais irregularidades. O município destoa das cidades vizinhas, que já têm o controle eletrônico há anos. Ofício da Polícia Federal enviado à GCM de Ribeirão Pires comunicando o cancelamento dos portes de arma. Reprodução/TV Globo 👉 A Polícia Federal tem a responsabilidade de conceder os portes para as guardas no país inteiro e fiscaliza o cumprimento de condições de manutenção destes equipamentos. Segundo o g1 e a GloboNews apuraram, o que se observou em Ribeirão Pires é que documentos e avaliações que deveriam ter sido providenciadas pela corporação não foram encaminhados à entidade ou não preencheram os requisitos do acordo de colaboração de 2021. Isso, segundo fontes da PF, constitui uma falha grave que exige a suspensão preventiva dos portes de arma dos agentes até a devida regularização. A situação de Ribeirão Pires foi agravada com as informações encaminhadas pelo MP-SP à corporação, demonstrando o descumprimento legal dos acordos firmados entre as duas corporações. O prefeito de Ribeirão Pires, Guto Volpi (PL), e o promotor Jonathan Vieira de Azevedo: ação civil pública para renovação da frota de ônibus na cidade. Montagem/g1/Reprodução/Redes Sociais Formação de milícia Paralelamente ao cancelamento das licenças, o Ministério Público de SP investiga uma possível formação de milícia por parte de membros dessa mesma guarda, que foi denunciada por um grupo grande de GCMs que atuam na cidade. Pelo menos 20 guardas prestaram depoimento na Promotoria da cidade relatando casos de assédio por parte dos superiores. Os guardas denunciaram ao MP que a Corregedoria da GCM da cidade age com parcialidade, apontando indícios de conivência aos abusos de alguns superiores contra subordinados. Os guardas também afirmam que o órgão ignora denúncias de crimes dos policiais na cidade, direciona medidas disciplinares apenas contra os que não se submetem a desmandos que ocorrem na corporação, encobrindo até abusos e crimes. “As testemunhas descrevem tratamentos rudes e humilhantes, incluindo xingamentos, desrespeito em reuniões e rebaixamento de subordinados, como a negação de treinamentos ou escalas favoráveis em retaliação a meras discordâncias. Há menções a ameaças e coações verbais destinadas a silenciar dissidentes, com intimidações, instrumentalização de medidas e procedimentos disciplinares, confisco irregular de armas de fogo sem aparente justificativa, dentre outros”, diz o documento. As denúncias estão sendo investigadas pelo promotor Jonathan Vieira de Azevedo, que, em dezembro do ano passado, já tinha oficiado a Prefeitura de Ribeirão Pires sobre o assunto. No despacho ao qual o g1 também teve acesso, o promotor afirma que as denúncias dos guardas “revelam um preocupante padrão de condutas, capazes de comprometer a coesão interna da corporação e a prestação de serviços essenciais à população de Ribeirão Pires”. Antônio Carlos de Brito Araújo e o corregedor da GCM Edvaldo Rhein: amizade que tem atrapalhado o andamento de denúncias dentro da tropa. Montagem/g1/Reprodução No documento, ele recomendou o afastamento do Subcomandante Antônio Carlos de Brito Araujo e do corregedor Edvaldo Rhein. O promotor afirmou que há nas denúncias de “indícios de assédio moral e abuso de autoridade por parte do Subcomandante Antônio Carlos de Brito Araujo, retratado como autoridade que centraliza o poder e exerce controle excessivo sobre as operações da GCM”, com a conivência do corregedor Edvaldo Rhein. "Outro ponto refere-se ao uso indevido de recursos públicos e atos potencialmente ilícitos, com múltiplos depoimentos indicando possível desvio de bens da GCM, envolvendo o Subcomandante Antônio Carlos de Brito Araujo e o ex-Secretário Sandro Torres Amante na utilização de viaturas, pessoal e materiais para serviços particulares de segurança privada. Há narrativas de furto de equipamentos e manipulação de registros manuais de armas e documentos, além de deficiências na segurança de armamento, com remoções irregulares e sem registros adequados", escreveu Vieira. Em dezembro do ano passado, o g1 já havia publicado que o subcomandante Brito Araujo era alvo de denúncias de assédio contra guardas da cidade. GCMs discutem com subcomandante de Ribeirão Pires Guardas civis da cidade de Ribeirão Pires, na Grande São Paulo. Reprodução/Redes Sociais Ele foi gravado por uma dupla de GCMs fazendo humilhações e xingados contra os guardas. Na ocasião, ele já tinha sido afastado temporariamente do cargo, mas não foi exonerado. Continua no cargo, gozando de férias, segundo o apurado pela reportagem. Em entrevista ao telejornal SP1, da TV Globo, o promotor Jonathan Azevedo afirmou que as denúncias em Ribeirão Pires são indícios fortes de que há "atividade criminosa organizada" dentro da Guarda de Ribeirão Pires. "Dezenas de depoimentos sigilosos de integrantes da própria Guarda Civil Municipal convergem para a existência de um esquema organizado, caracterizado por assédio moral sistemático, perseguição interna, desvio de finalidade administrativa e, principalmente, a prática de crimes. Estamos falando de uso indevido de bens públicos — viaturas, pessoal e estrutura da corporação — para prestação de serviços de segurança particular e proteção de interesses privados. Esses elementos indicam não apenas má gestão, mas atividade criminosa organizada. Estamos diante de fatos em apuração robusta, não de meras suspeitas”, declarou. Na nota enviada ao g1, a gestão Guto Volpi (PL) afirmou que, “com relação ao questionamento sobre a possível milícia, assim que a Justiça informar os nomes dos GCMs que estão sendo investigados nesta suposta situação, os mesmos serão afastados imediatamente e as medidas cabíveis serão tomadas”. Despacho da Promotoria de Ribeirão Pires apontando ilegalidades dentro da GCM de Ribeirão Pires, na Grande SP. Reprodução/TV Globo Secretário e GCM de cidade na Grande SP são condenados por furtar açougues

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/06/19/prefeito-de-ribeirao-pires-demite-secretario-da-seguranca-apos-gcm-ter-porte-de-arma-cancelado-pela-pf.ghtml


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