Lula defende exploração conjunta de terras raras com África do Sul: 'Já levaram nosso ouro, o que mais querem levar?'
09/03/2026
(Foto: Reprodução) Lula e Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul, no Palácio do Planalto.
Ricardo Stuckert/ Presidência da República
Durante o encontro com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, no Palácio do Planalto, nesta segunda-feira (9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou a intenção do governo brasileiro de transformar a exploração de minerais críticos e terras raras em uma estratégia de desenvolvimento tecnológico e econômico.
Segundo ele, Brasil e África do Sul possuem potencial semelhante nesse setor e podem ampliar a cooperação para evitar que recursos estratégicos continuem sendo exportados sem valor agregado.
Lula afirmou que os dois países detêm reservas importantes de minerais considerados “essenciais para a transição energética e digital”, e defendeu um levantamento conjunto das jazidas sul-africanas e brasileiras.
O presidente disse ainda que o Brasil conhece apenas cerca de 30% do próprio território e que há espaço para ampliar o mapeamento geológico.
O presidente criticou o modelo histórico de exportação de commodities, citando casos como o do minério de ferro. Para ele, Brasil e África do Sul precisam evitar repetir esse formato no caso dos minerais críticos.
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“O Brasil não vai fazer das terras raras o que foi feito com o minério de ferro. A gente vendeu o minério e comprou produto acabado pagando cem vezes mais caro”, declarou.
Lula também fez um apelo para que os dois países fortaleçam suas cadeias produtivas e passem a produzir localmente os bens derivados desses recursos.
Segundo ele, o objetivo é que a etapa de transformação industrial ocorra dentro dos territórios brasileiro e sul-africano.
O presidente mencionou que pretende criar condições para a instalação de empresas conjuntas com participação dos dois governos.
Ao comentar o histórico de exploração de riquezas naturais, Lula questionou a saída de recursos estratégicos do país ao longo dos séculos, como ouro, prata e diamantes.
Ele afirmou que a mudança depende de “decisão política” e que Brasil e África do Sul devem transformar suas reservas minerais em conhecimento, riqueza e melhoria de vida para a população.
As declarações ocorreram durante a série de reuniões que resultaram em acordos bilaterais nas áreas de turismo, comércio, investimentos e cultura. A intenção do governo brasileiro é diversificar parcerias econômicas e ampliar o potencial de cooperação com países do Sul Global, especialmente em setores estratégicos como o de minerais críticos.