Justiça decreta prisão de médico que fez 'harmonização de bumbum' em mulher que morreu horas após procedimento
08/04/2026
(Foto: Reprodução) Médico Marcelo Alves Vasconcelos e a comerciante Adriana Barros Lima Laurentino
Reprodução/Redes sociais
O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) decretou a prisão preventiva do médico Marcelo Alves Vasconcelos, que é réu pela morte de uma paciente que faleceu horas após um procedimento de "harmonização de bumbum". A comerciante Adriana Barros Lima Laurentino tinha 46 anos e morreu em janeiro de 2025.
De acordo com a família, o procedimento foi feito com polimetilmetacrilato, uma substância conhecida como PMMA, que não é recomendado para uso em fins estéticos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
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Marcelo Alves Vasconcelos é considerado foragido. Ele teve prisão decretada no dia 27 de março deste ano, pela juíza Danielle Christine Silva Melo Burichel, da 3ª Vara do Tribunal do Júri da Capital.
Ele responde pelo crime de homicídio qualificado por motivo torpe/ganância. A pena prevista é de 12 a 30 anos de prisão.
Mulher é encontrada morta após fazer 'harmonização de bumbum' com PMMA; entenda riscos
Na decisão em que decretou a prisão preventiva, a juíza considerou o posicionamento do Ministério Público, que foi favorável à detenção, e que a medida era necessária para "garantia da ordem pública e da saúde pública", para evitar que o médico continue fazendo procedimentos desse tipo.
A juíza também marcou uma audiência de instrução para o dia 22 de setembro deste ano.
O g1 e a TV Globo tentaram contato com o médico e com a clínica Bodyplastia, onde ele atendia, mas não obtiveram retorno até a última atualização desta reportagem.
O caso
Adriana Barros foi encontrada morta no banheiro de casa. Segundo familiares, ela se queixou de dores intensas logo depois de ser liberada pela clínica Bodyplastia, onde realizou a intervenção. De acordo com as investigações realizadas pela Polícia Civil, a vítima morreu de embolia pulmonar.
Entretanto, ela também sofreu choque séptico (infecção generalizada) causada por uma infecção urinária anterior, mas que foi agravada devido à realização do procedimento médico.
O inquérito da polícia também aponta que o médico tinha ciência das intercorrências que o produto poderia causar e isso indica que ele assumiu o risco do resultado que poderia ocorrer, "além de ser indiferente a ele, considerando a mercantilização generalizada estimulada pelo profissional".
Além disso, segundo o inquérito, ele "não realizou um exame prévio detido na paciente" e só a viu no dia do procedimento, data em que ela o pagou R$ 21 mil para a realização da "harmonização de bumbum".
Caso tivesse pedido exames simples, como de urina e de sangue, o médico poderia ter evitado a morte, principalmente ao diagnosticar a infecção urinária de que ela sofria.
"Demonstra-se que a finalidade aqui não é o bem-estar da paciente, mas sim o lucro exorbitante do investigado", afirma o documento.
Outra irregularidade apontada pela polícia é que, na época do procedimento, ele não tinha inscrição no Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), e exercia a atividade de forma ilegal no estado.
Além disso, a polícia também cita o histórico criminal do médico, já que ele é apontado como participante de um "grande esquema de fraude em ingresso nos cursos de Medicina nos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, com a cobrança de até R$ 140 mil por vaga.
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