História de jovem que morreu em recinto de leoa em zoológico de João Pessoa vai virar livro

  • 15/03/2026
(Foto: Reprodução)
Home que morreu após entrar em recinto de leoa em João Pessoa Reprodução/TV Cabo Branco A história de Gerson de Melo. o jovem que morreu após entrar no recinto da leoa, no Parque Arruda Câmara, a Bica, em João Pessoa, vai virar livro. A obra está sendo desenvolvida pelo jornalista e escritor paraibano Phelipe Caldas, e tem previsão de lançamento para 2026. Gerson morreu no final de novembro de 2025. O caso foi amplamente repercutido e abriu o debate sobre questões de saúde mental e vulnerabilidade social. De acordo com Phelipe, a motivação inicial para a escrita do livro foi buscar aprofundar o caso além do que foi tratado na cobertura feita pela imprensa. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp “Na primeira semana eu praticamente não consumi nenhuma notícia sobre o caso, porque me provocava muita repulsa a forma como o caso estava sendo explorado, principalmente nas redes sociais”, contou Phelipe . Phelipe Caldas Arquivo pessoal De acordo com o escritor, a ideia de transformar a história, a vida de Gerson em livro surgiu após uma conversa com um amigo, que o motivou a iniciar o projeto. “Depois da provocação do professor, desse meu amigo, eu modifiquei totalmente minha perspectiva e disse: é, realmente, então eu vou iniciar uma pesquisa sobre isso. E a partir daí eu entrei de cabeça no assunto”, detalhou. A pesquisa começou em 9 de dezembro de 2025. Até agora, já reúne mais de 40 entrevistas e mais de 10 mil páginas de documentos públicos analisados. O livro tenta reconstruir a trajetória de Gerson, marcada por pouco convívio familiar e passagens por instituições de acolhimento. Gerson morreu após ser atacado por leoa Reprodução/Fantástico “O meu objetivo não é focar exclusivamente na morte dele, é tentar entender o que aconteceu ao longo de 19 anos da vida dele, para que culminasse naquela morte trágica.”, afirmou. Outro ponto do livro é o debate sobre temas ligados à trajetória de Gerson, como saúde mental, tratamento psicológico e a lei antimanicomial. “Para além da vida de Gerson, que vai ser contada em detalhes, algumas temáticas que cruzam a vida dele de alguma forma serão aprofundadas, também vai haver uma reflexão sobre isso”, destacou. Segundo Phelipe, sua maior expectativa é que o livro provoque reflexões a partir da história de Gerson. Para ele, o caso do jovem revela um cenário mais amplo de abandono e vulnerabilidade social. “Me parece que casos como o de Gerson são muito mais frequentes do que nos parece, que o caso de Gerson só veio à tona de uma forma diferente do que as outras devido à forma trágica como se deu a morte dele. Mas que tantos outros Gersons morrem cotidianamente vítimas de um estado e uma sociedade que é incapaz de lidar corretamente com as pessoas que possuem doença mental. Então, se o livro de alguma forma promover esse debate e de alguma forma conseguir evitar que outros Gersons morram, ele já terá cumprido o seu objetivo”, concluiu. Data de lançamento O livro sobre Gerson ainda não tem data de lançamento nem título definido. A previsão do autor é que o livro seja publicado até novembro, quando se completa um ano da morte do jovem. Dentre outras obras, Phelipe Caldas é o autor de "O Menino que Queria Jogar Futebol", livro que foi adaptado para os cinemas no filme 'Inexplicável'. A obra conta a história real de uma criança apaixonada por futebol que enfrentou um tumor maligno no cérebro e complicações que se seguiram à cirurgia. Ele chegou a ser desenganado por médicos, mas contra todos os prognósticos sobreviveu sem sequelas. 'Inexplicável', dirigido por Fábríio Bittar e estrelado por e estrelado por Letícia Spiller e Eriberto Leão, chegou a alcançar o Top 3 Global da Netflix. Inquérito arquivado A 1ª Vara Regional de Garantias arquivou o inquérito que investigava a morte de Gerson de Melo, na última quarta-feira (11). A decisão foi proferida pela juíza Michelini Jatobá. No documento, a Justiça destaca que não enxerga a morte como influenciada por terceiros. “Os relatos sobre o histórico de saúde mental da vítima, trazidos pela Conselheira Tutelar Verônica Silva de Oliveira, indicam um quadro de vulnerabilidade psíquica que, infelizmente, pode ter contribuído para a tomada de decisão que levou ao fatídico evento. Contudo, sob a ótica estritamente penal, tal circunstância reforça a ausência de dolo ou culpa de terceiros.”, detalhou a decisão. A decisão também detalha que um relatório do Ibama confirmou que o Parque Arruda Câmara segue as normas de segurança exigidas, com muros de cerca de 8 metros e telas inclinadas para impedir invasões. A juíza responsável pelo inquérito também afirmou que a 2ª Delegacia Distrital de João Pessoa ouviu guardas municipais, funcionários do parque, familiares e uma conselheira tutelar que tinha relação com o jovem. Também foram feitos laudos periciais, incluindo exame do corpo e perícia no local. Relembre o caso Gerson de Melo Machado, de 19 anos, morreu no dia 30 de novembro de 2025, após invadir o recinto de uma leoa e ser atacado por ela no Parque Arruda Câmara, conhecido como Bica, em João Pessoa. O jovem tinha esquizofrenia, mas, mesmo com o diagnóstico, não recebia acompanhamento psicológico contínuo. A família de Gerson também tinha histórico de transtornos mentais. Ele foi afastado do convívio familiar ainda na infância. A mãe perdeu o poder familiar por causa da esquizofrenia. O pai era ausente e os quatro irmãos foram adotados. A avó, responsável por ele, também tem transtornos mentais. Gerson, que nunca chegou a ser adotado, passou a viver em instituições de acolhimento até completar a maioridade. Após completar 18 anos, o jovem perdeu esse espaço e passou a viver por conta própria, acumulando passagens por complexos psiquiátricos e pelo sistema prisional. Um mês antes da morte de Gerson, a Justiça havia determinado que o jovem fosse internado em instituições de longa permanência para tratamento psicológico. Na decisão, o juiz Rodrigo Marques de Silva Lima afirmou que o tratamento ambulatorial era insuficiente diante da gravidade do caso. A decisão nunca chegou a ser cumprida. Uma semana antes do acidente na Bica, ele foi detido após atirar uma pedra em uma viatura da Polícia Militar. Segundo uma prima, ele fazia isso para se sentir seguro. “Das vezes que ele foi preso, a maioria era por jogar uma pedra na viatura, porque ele queria se sentir seguro. Muitas vezes ele falava: ‘Se eu tiver preso, as pessoas na rua não vão dar em mim, porque eu peguei tal coisa em troca do almoço e fulano deu em mim’. Ele sempre tinha medo de as pessoas baterem nele. Tiraram ele como uma pessoa agressiva, e ele não era. Uma pessoa marginal ele não era. Era um menino neurodivergente que tinha mentalidade de 4 anos”, ressaltou. Tragédia na Bica: a trajetória de Gerson Melo *Sob supervisão de Jhonathan Oliveira Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba

FONTE: https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2026/03/15/historia-de-jovem-que-morreu-em-recinto-de-leoa-em-zoologico-de-joao-pessoa-vai-virar-livro.ghtml


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