'Eu tinha certeza de que ela era maior, só não tinha como provar', diz assistente social de MG sobre mulher de 37 anos que fingiu ter 12
05/06/2026
(Foto: Reprodução) Amanda Maria Souza de Oliveira em imagem cedida pela assistente social Delma Soares, se passando por uma adolescente de 12 anos.
Arquivo Pessoal
Muito antes de Amanda Maria Souza de Oliveira ser presa em Santa Catarina por fingir ter 12 anos, uma assistente social de Belo Horizonte já desconfiava da história. Delma Soares conta que passou a acreditar que Amanda era maior de idade após presenciar um episódio de violência, na casa dela, quando a suposta adolescente foi informada de que precisaria voltar para o abrigo.
Amanda, que em BH era chamada de "Karol", foi apadrinhada, com outras crianças, pela assistente social e levada pra dela para passar as festas de fim de ano. A mulher ficou por lá por quase uma semana quando foi informada de que teria que voltar pro abrigo antes das festas.
Delma precisou fazer uma viagem de emergência. O irmão adoeceu em Vitória (ES). Com isso, Amanda teria que voltar para a instituição. Foi neste momento que ela teve uma reação violenta e começou a quebrar diversos objetos. Além disso deu socos e chutes que danificaram o portão de ferro da casa.
"Quando contei que ela teria que retornar para o abrigo, foi uma reação completamente fora do comum. Ela começou a quebrar objetos e a dar socos e chutes no portão da minha casa. Eu tinha certeza de que ela era maior. Só não tinha como provar. Ela tinha uma aparência infantil e conseguia reproduzir muitos comportamentos de uma criança. Mas naquele momento eu percebi características que não batiam com a idade que ela dizia ter", relembrou Delma.
A assistente social afirma que o comportamento chamou a atenção pela força física demonstrada e pela mudança repentina de postura que não eram compatíveis com uma pessoa de 12 anos.
Delma conta que compartilhou suas desconfianças com integrantes da rede de proteção à criança e ao adolescente, mas não acreditavam no que a assistente social dizia.
"Quando eu dizia que ela era maior de idade, as pessoas achavam que eu estava equivocada. Eu não tinha provas, apenas a convicção construída pela convivência com ela", afirmou.
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A assistente social Delma Soares conviveu com Amanda, em 2017, no abrigo onde é diretora, em Belo Horizonte.
TV Globo
A convivência com Amanda no abrigo de BH
Em Belo Horizonte, Amanda chegou a casa de acolhimento, onde Delma é diretora, em 2017. Ela usou o apelido de "Karol". A assistente social tinha uma boa relação com Amanda e ganhava dela cartas, desenhos e bilhetes que reforçavam a imagem de uma adolescente em situação de vulnerabilidade.
Segundo Delma Soares, Amanda chegou ao local com ferimentos provocados por agulhas e pedaços de arame. Ela foi atendida no Hospital Odilon Behrens, onde exames de raio-X identificaram objetos espalhados pelo corpo.
Cartinhas escritas por Amanda para a assistente social Delma, assinadas como "Karol".
TV Globo
Relembre o caso
Mulher de 37 anos finge ter 12 e é presa por estelionato 1 ano após ser adotada em SC
Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, foi presa nesta semana em Joinville (SC), onde viveu por cerca de 14 meses com uma família fingindo ser uma adolescente de 12 anos. Apresentando-se como "Gabriele", ela dizia ter fugido do Pará após sofrer maus-tratos.
A Justiça de Santa Catarina decretou a prisão preventiva da suspeita. Ela é investigada pelos crimes de estelionato e falsa identidade e deverá passar por exame de sanidade mental.
A mulher já havia sido alvo de registros policiais e acolhimentos em instituições de Minas Gerais. Boletins de ocorrência obtidos mostram que Amanda utilizava nomes falsos e relatava histórias de violência, abandono e vulnerabilidade para conquistar a confiança de pessoas e entidades dispostas a ajudá-la.
Além da capital mineira, há registros da passagem dela por Montes Claros, Três Corações e Bom Despacho.
Em Montes Claros, no Norte de Minas, Amanda procurou uma casa de acolhimento em dezembro de 2024 usando o nome de "Ane Caroline Ferreira Silva". Conforme boletim de ocorrência, ela alegou ser vítima de agressões físicas, abusos e até rituais de bruxaria. A permanência no local durou apenas cinco dias.
Em Três Corações, no Sul de Minas, ela utilizou a identidade de "Ana Clara Santos Xavier" e afirmou ter 13 anos. Também disse ser natural de Fortaleza e vítima de abusos sexuais. Conselheiras tutelares identificaram relatos semelhantes registrados anteriormente em outros estados.
Já em Bom Despacho, no Centro-Oeste mineiro, funcionários de um abrigo acionaram a polícia após suspeitarem da versão apresentada por Amanda. Na delegacia, ela revelou o nome verdadeiro, mas se recusou a informar a idade.
De acordo com a Polícia Civil de Santa Catarina, Amanda também possui registros de passagens por Goiás, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
O que diz a defesa de Amanda
A defesa de Amanda Maria Souza de Oliveira informou que identificou elementos que justificam a realização de exame de sanidade mental e aguarda os resultados das perícias para definir quais medidas processuais poderão ser adotadas.
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