Bancos de areia surgem no Guaíba, permitem 'andar sobre as águas' e podem criar novas ilhas; entenda
20/02/2026
(Foto: Reprodução) Como navegar no Guaíba com bancos de areia
Com o nível do Guaíba reduzido a 32 centímetros, cenas que parecem improváveis viraram realidade: é possível até "andar sobre as águas" graças aos bancos de areia — que vêm transformando a paisagem e a rotina de quem depende do lago para trabalhar, se deslocar ou praticar esporte.
A estiagem, somada ao acúmulo de sedimentos deslocados pelas enchentes, fez o nível do lago despencar, abrindo espaço para formações que se multiplicam entre a região Central de Porto Alegre e a Zona Sul.
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Áreas que antes eram totalmente submersas, agora revelam faixas de areia, algumas com vegetação, outras tão firmes que já permitem caminhar em trechos onde, até pouco tempo atrás, passavam navios de grande porte.
Os especialistas indicam que esse é um dos indicativos de um período de estiagem. Embora tenha chovido bem em dezembro, janeiro não trouxe volume suficiente para recuperar os rios.
Com a vegetação avançando, há quem acredite que certas ilhas recém-expostas podem acabar entrando de vez na geografia da capital.
Navegação em alerta
Repórter da RBS sobre as águas do Guaíba em parte com bancos de areia
Reprodução/ RBS TV
A Capitania Fluvial de Porto Alegre monitora a situação e admite preocupação com a segurança de embarcações. Navios que precisam de profundidade para navegar já estão mais vulneráveis às armadilhas criadas pelo assoreamento.
"Isso afeta a navegação porque a menor quantidade de água para navegar restringe os navios de grande porte, os que nós chamamos de grande calado. Então, com essa escassez de chuvas, o nível do Guaíba diminui, sim", explica o capitão dos Portos de Porto Alegre, Leandro Alves.
Segundo ele, sempre que necessário, são emitidos avisos para alertar profissionais e evitar acidentes ou encalhes.
Desde as enchentes de 2024, a dragagem das vias navegáveis se tornou ainda mais urgente. O capitão explica:
"Há uma preocupação reforçada na dragagem aqui das vias navegáveis porque, com as enchentes, os bancos de areia, todo o sedimento, ele se deslocou", diz Alves.
Riscos para quem navega
Além do impacto direto na navegação, o nível baixo também é reflexo de uma estiagem que já afeta o campo, especialmente a safra de soja, destaque da agricultura no estado.
A orientação da Marinha é clara:
"Que naveguem pelas vias cartografadas, sempre em segurança. Por mais que o próprio equipamento esteja mostrando que pode ser que ele esteja em uma profundidade tranquila, não cortar caminhos. Tentar evitar regiões que já têm o histórico de ter altos fundos, que são esses bancos", reforça o capitão.
Enquanto isso, a expectativa é por chuva, em volume suficiente para reverter o quadro. As pancadas isoladas que têm ocorrido, mesmo quando intensas, ainda não são capazes de resolver o problema.
Repórter da RBS sobre as águas do Guaíba em parte com bancos de areia
Reprodução/ RBS TV
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